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Observatório de Política Externa Brasileira -
Nº 11
19/06/04 -
25/06/04
O Ministério da
Agricultura brasileiro confirmou, no dia 21 de junho, o fim do veto do governo
chinês à entrada da soja brasileira. O acordo foi acertado pelo secretário de
Defesa Agropecuária, Maçao Tadano, chefe da missão que embarcou para Pequim a
fim de negociar com as autoridades chinesas a entrada da soja brasileira no
país. A China aceitou a Instrução Normativa nº 15 do Ministério da Agricultura
brasileiro, que determina a tolerância de um grão de semente a cada quilo de
soja exportada para consumo alimentar. Além disso, pelo acordo, a China só
impedirá novo carregamento de soja após troca de informações e consulta ao
governo brasileiro. Segundo o governador do estado do Rio Grande
do Sul, Germano Rigotto, o Brasil passa a ter as normas mais rígidas do mundo no
controle da soja para exportação. A possibilidade de que os chineses mandassem
técnicos para inspecionar os carregamentos de soja com destino ao país,
levantada pelo governo brasileiro, foi descartada. O ponto mais nebuloso do
acordo é a metodologia que os chineses usarão na composição das amostras que
serão examinadas. Apesar da solução do impasse, o ministro da Agricultura brasileiro,
Roberto Rodrigues, disse que o Brasil não tem mais como recuperar o prejuízo de
US$ 1 bilhão causado por pelo embargo. Segundo Rodrigues, as receitas com as
exportações de soja em 2004 ficarão abaixo das expectativas e o principal fator
para essa perda é a queda do preço do produto no mercado internacional.
Indagado sobre a possibilidade de reincidência do veto, Tadano disse não ver
possibilidade de que nova proibição croncretize-se. O Brasil se juntará à
Argentina e ao EUA na assinatura de um documento pan-americano que reconhece as
especificações técnicas da soja exportada pelos três países. Aderindo a esse
documento o Brasil tem a intenção de reforçar a segurança nas negociações
comerciais com a China. (O Globo – Economia – 19/06/04; Folha de S. Paulo – Dinheiro
– 21/06/04; O Globo – Economia – 21/06/04; O Estado de S. Paulo – Economia –
22/06/04; O Globo – Economia – 22/06/2004; Folha de S. Paulo – Dinheiro –
23/06/04; O Estado de S. Paulo – Economia – 23/06/04; Folha de S. Paulo –
Dinheiro – 24/05/04; O Estado de S. Paulo – 24/06/04; Folha de S. Paulo –
Dinheiro – 25/06/04).
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e os ministros Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Antonio
Palocci (Fazenda) e Guido Mantega (Planejamento), embarcaram no dia 22 de junho
para os Estados Unidos, onde participaram de um encontro com mais de 500
empresários dos três países da América do Norte (Estados Unidos, Canadá e
México). Com o objetivo de atrair investidores, o governo brasileiro divulgou a
política fiscal, monetária e cambial do país como propícias ao investimento,
principalmente em duas grandes áreas: agronegócio e infra-estrutura. A comitiva
distribuiu o “Guia do Investimento no Brasil”, com informações sobre as
oportunidades de negócio no país, com destaque às obras que poderão ser
realizadas dentro das chamadas PPPs no setor de infra-estrutura. A viagem
incluiu diversas reuniões e palestras da comitiva a executivos, além de rodadas
de negociações com investidores, como o “Brazil meets markets”, do qual
participaram Lula, Palocci e o presidente do Banco Central (BC) brasileiro,
Henrique Meirelles. Lula reuniu-se ainda com o Secretário do Tesouro dos EUA,
John Snow, e com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na
sede da organização, o presidente discursou em reunião do Pacto Global, acordo
que visa estimular uma aproximação entre a organização, empresários e ONGs para
cumprir as metas sociais estabelecidas pelas ONU para 2015, conhecidas como
Metas do Milênio. Lula afirmou que o Brasil, em seu governo, deu “um salto de
qualidade” na política externa, e que o país passou a agir como um “ator no
mundo globalizado” através da intensificação das relações com os países da
América do Sul, principalmente. Ele declarou que o Brasil deve ser tão duro nas
negociações quanto os Estados Unidos, ressaltando os aspectos positivos que o
posicionamento traz ao país. O presidente defendeu, ainda, o fim dos subsídios
agrícolas nos países ricos e disse que a ALCA foi negociada de maneira
“realista, flexível e equilibrada”. Além disso, Lula participou do lançamento
do serviço de remessas de recursos de brasileiros residentes no exterior, da
Caixa Econômica Federal. Os EUA são responsáveis por 25% do comércio internacional
do Brasil. (O Estado de S. Paulo – Economia – 22/06/04; O Globo – Economia –
21/06/04; O Globo – Economia – 22/06/04; Folha de S. Paulo – Brasil – 23/06/04;
Folha de S. Paulo – Dinheiro – 23/06/04; O Estado de S. Paulo – Economia –
23/06/04; O Globo – Economia – 23/06/04; Folha de S. Paulo – Dinheiro –
24/06/04; O Estado de S. Paulo – Economia – 24/06/04; O Globo – Economia –
24/06/04; O Estado de S. Paulo – Economia – 25/06/04).
Em uma entrevista concedia ao jornal americano The
Wall Street Journal, veiculada no Brasil pelo O Estado de S. Paulo,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a atual política externa
brasileira, o relacionamento com os EUA, a situação interna do País e as negociações
da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Sobre o grau maior de ousadia
dada à política externa brasileira, Lula afirmou que não representa uma ruptura
com os Estados Unidos, como muitos pensavam. Pelo contrário, o governo
brasileiro procura um “relacionamento saudável” com a potência americana. Disse
que o Brasil está disposto a trabalhar junto com os EUA para a criação da Alca,
mas disse que o Brasil se manterá firme nas negociações. O ministro das
Relações Exteriores, Celso Amorim, presente durante a entrevista, reconheceu
que as negociações de livre comércio com a União Européia (UE) têm sido mais
suaves do que as com os EUA. Amorim concluiu que os europeus estão sendo mais
pragmáticos do que os americanos nas negociações. (O Estado de S. Paulo – The
Wall Street Journal Americas – 25/06/04).
O presidente Lula reuniu-se no dia 21, em São Paulo,
com o presidente da Namíbia, Sam Nujoma. Os chefes de Estado avaliaram as
relações comerciais entre ambos os países, observado crescimento de 40% após a
visita de Lula à Namíbia. No entanto, o fluxo bilateral foi considerado ainda
baixo, levando os presidentes a discutirem novas medidas. Nujoma destacou a
cooperação entre os países no combate à discriminação e na promoção da
igualdade racial, além da cooperação naval observada entre os países: a Marinha
brasileira doou à Namíbia, no dia 24 de junho, a corveta brasileira Purus. Além
disso, a Namíbia comprará cinco barcos-patrulha brasileiros. Os presidentes trataram,
ainda, de assuntos como a reforma da ONU e a nova geografia de comércio a ser
traçada pelos países em desenvolvimento. Nujoma declarou o apoio da Namíbia à
aspiração do Brasil de tornar-se membro permanente do Conselho de Segurança, e,
junto com Lula, expressou a necessidade de que o órgão principal da ONU conte
com um membro permanente africano e com maior número de membros
não-permanentes. Quanto à nova geografia comercial, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva reafirmou que os países em desenvolvimento podem suavizar as
práticas protecionistas e as relações de força no cenário internacional através
do fortalecimento do comércio Sul-Sul, fortalecendo o G20 e o Sistema Geral de
Preferências Comerciais (SGPC). Lula expressou seu apoio às negociações entre a
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral e o Mercosul, com vistas à
criação de uma área de livre comércio. (Folha de S. Paulo – Dinheiro –
21/06/04; O Estado de S. Paulo – Nacional – 22/06/04; Folha de S. Paulo –
Brasil – 24/06/04; Folha de S. Paulo – Brasil – 25/06/04).
Em entrevista ao jornal espanhol “El País”, o
presidente Lula pediu maior integração aos países sul-americanos, alegando que
essa seria a única maneira de permitir um crescimento regional. Lula declarou
que gostaria de implantar na América do Sul uma política baseada em uma relação
de confiança entre países e governantes. Ao ser questionado se o Brasil tinha o
desejo de se tornar o líder da América Latina, Lula disse que a liderança não
se produz por si só, mas em função da capacidade de trabalho. (Folha de S.
Paulo – Brasil – 20/06/04; O Estado de S. Paulo – Nacional – 21/06/04).
Estados Unidos recorrerão da decisão da OMC que
condenou os subsídios à produção de algodão
A embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna
Hrinak, confirmou no dia 22 que o governo americano vai recorrer da decisão da
Organização Mundial do Comércio (OMC) que condenou os subsídios do país à
produção de algodão, a partir do processo movido pelo Brasil. Por enquanto, os
Estados Unidos terão que esperar até agosto ou setembro, prazo determinado pela
Organização para o encaminhamento do pedido de revisão da decisão. Para os
diplomatas brasileiros, o anúncio de que Washington vai recorrer não chegou
como uma surpresa, já que é comum os países esgotarem todas as suas
possibilidades legais. (O Estado de S. Paulo – Economia – 24/06/04).
Após a confirmação do registro do foco de febre aftosa
no estado do Pará, a Rússia, no dia 18 de junho, e a Argentina, no dia 22,
suspenderam a importação de carne brasileira. A Argentina
alegou falta de iniciativa do governo em fornecer informações detalhadas como
motivo para o veto. Nesta semana, representantes da embaixada do Brasil em
Moscou reuniram-se com autoridades russas para explicar que o foco encontra-se
isolado das zonas exportadoras e tentar reverter o veto das importações. A
Rússia, ao contrário da Argentina, é um importante comprador de carne
brasileira, responsável por 12% das exportações do produto. O ministério da
Agricultura brasileiro se precipitou ao afirmar que a Rússia deveria
oficializar nesta quinta-feira a suspensão do embargo e que, após explicações
às autoridades argentinas, o país vizinho normalizaria as importações da carne
brasileira. Contudo, Rússia e Argentina não suspenderam o embargo na data
prevista pelo ministério. Uma missão técnica será enviada à Moscou para
negociar o fim do embargo. Da Argentina é esperado que suspenda o embargo até o
dia 30, após o governo brasileiro ter prestado informações do caso as
autoridades argentinas, e depois de uma reunião entre técnicos dos dois países.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, acusou os argentinos de estarem
usando o veto á importação da carne brasileira para apoiar a iniciativa dos
russos, que foram os primeiros a proibir a entrada do produto no seu país.
(Folha de S. Paulo – Dinheiro – 23/06/04; Folha de S. Paulo – Dinheiro –
24/06/04; O Estado de S. Paulo – Economia – 24/06/04; O Globo – Economia –
24/06/04; Folha de S. Paulo – Brasil – 25/06/04; Folha de S. Paulo – Dinheiro –
25/06/04; O Estado de S. Paulo – Economia – 25/06/04; O Globo – Economia –
25/06/04).
O ministro da Agricultura, Roberto
Rodrigues, admitiu que a missão técnica enviada à Moscou, para negociar o fim
do embargo á importação de carne brasileira, negociará também um acordo de
importação de trigo russo. Porém, o ministro ressaltou que o fim do embargo à
carne brasileira não está condicionado ao início da importação de trigo da
Rússia pelo Brasil. (Folha de S. Paulo – Dinheiro – 25/06/04).
Em uma reunião entre representantes do Brasil, da
Índia, dos Estados Unidos, da Europa e da Austrália na sede da Organização
Mundial do Comércio (OMC), Brasil e Índia apresentaram nova proposta de cortes
profundos de subsídios domésticos por parte dos países ricos. O Itamaraty
afirmou que seu objetivo é que os subsídios e as distorções que proporcionam ao
comércio mundial sejam debatidos e que os países ricos demonstrem seu interesse
em abandoná-los. Brasil e Índia aproveitaram o parecer contrário da OMC aos
subsídios do governo dos EUA aos produtores de algodão para embasar a proposta
sobre os mesmos argumentos utilizados pelos árbitros da organização. Os
representantes dos países europeus e dos Estados Unidos, no entanto, não
apresentaram propostas concretas na modificação de suas políticas agrícolas. (O
Estado de S. Paulo – Economia – 24/06/04).
Estados Unidos recorrerão da decisão da OMC que
condenou os subsídios à produção de algodão
A embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna
Hrinak, confirmou no dia 22 que o governo americano vai recorrer da decisão da
Organização Mundial do Comércio (OMC) que condenou os subsídios do país à
produção de algodão, a partir do processo movido pelo Brasil. Por enquanto, os
Estados Unidos terão que esperar até agosto ou setembro, prazo determinado pela
Organização para o encaminhamento do pedido de revisão da decisão. Para os
diplomatas brasileiros, o anúncio de que Washington vai recorrer não chegou
como uma surpresa, já que é comum os países esgotarem todas as suas
possibilidades legais. (O Estado de S. Paulo – Economia – 24/06/04).
Após a confirmação do registro do foco de febre
aftosa no estado do Pará, a Rússia, no dia 18 de junho, e a Argentina, no dia
22, suspenderam a importação de carne brasileira. A Argentina
alegou falta de iniciativa do governo em fornecer informações detalhadas como
motivo para o veto. Nesta semana, representantes da embaixada do Brasil em
Moscou reuniram-se com autoridades russas para explicar que o foco encontra-se
isolado das zonas exportadoras e tentar reverter o veto das importações. A
Rússia, ao contrário da Argentina, é um importante comprador de carne
brasileira, responsável por 12% das exportações do produto. O ministério da
Agricultura brasileiro se precipitou ao afirmar que a Rússia deveria
oficializar nesta quinta-feira a suspensão do embargo e que, após explicações
às autoridades argentinas, o país vizinho normalizaria as importações da carne
brasileira. Contudo, Rússia e Argentina não suspenderam o embargo na data
prevista pelo ministério. Uma missão técnica será enviada à Moscou para
negociar o fim do embargo. Da Argentina é esperado que suspenda o embargo até o
dia 30, após o governo brasileiro ter prestado informações do caso as
autoridades argentinas, e depois de uma reunião entre técnicos dos dois países.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, acusou os argentinos de estarem
usando o veto á importação da carne brasileira para apoiar a iniciativa dos
russos, que foram os primeiros a proibir a entrada do produto no seu país.
(Folha de S. Paulo – Dinheiro – 23/06/04; Folha de S. Paulo – Dinheiro –
24/06/04; O Estado de S. Paulo – Economia – 24/06/04; O Globo – Economia –
24/06/04; Folha de S. Paulo – Brasil – 25/06/04; Folha de S. Paulo – Dinheiro –
25/06/04; O Estado de S. Paulo – Economia – 25/06/04; O Globo – Economia –
25/06/04).
O ministro da Agricultura, Roberto
Rodrigues, admitiu que a missão técnica enviada à Moscou, para negociar o fim
do embargo á importação de carne brasileira, negociará também um acordo de
importação de trigo russo. Porém, o ministro ressaltou que o fim do embargo à
carne brasileira não está condicionado ao início da importação de trigo da
Rússia pelo Brasil. (Folha de S. Paulo – Dinheiro – 25/06/04).
Em uma reunião entre representantes do Brasil, da
Índia, dos Estados Unidos, da Europa e da Austrália na sede da Organização
Mundial do Comércio (OMC), Brasil e Índia apresentaram nova proposta de cortes
profundos de subsídios domésticos por parte dos países ricos. O Itamaraty
afirmou que seu objetivo é que os subsídios e as distorções que proporcionam ao
comércio mundial sejam debatidos e que os países ricos demonstrem seu interesse
em abandoná-los. Brasil e Índia aproveitaram o parecer contrário da OMC aos
subsídios do governo dos EUA aos produtores de algodão para embasar a proposta
sobre os mesmos argumentos utilizados pelos árbitros da organização. Os
representantes dos países europeus e dos Estados Unidos, no entanto, não
apresentaram propostas concretas na modificação de suas políticas agrícolas. (O
Estado de S. Paulo – Economia – 24/06/04).
O presidente argentino, Néstor Kirchner,
comprometeu-se a conversar com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da
Silva, sobre as “assimetrias” no comércio bilateral. A discussão deverá ocorrer
nos dias 07 e 08 de julho, após apresentação de estudo do comércio
intra-Mercosul pela União Industrial Argentina (UIA) ao presidente Kirchner.
Segundo a organização, as avaliações e perspectivas são negativas para
indústria argentina e a importação de produtos brasileiros ameaça setores da
indústria local. A UIA reconheceu o sucesso do Mercosul no incremento do
comércio entre os sócios, na melhoria das relações diplomáticas, turísticas,
culturais e políticas e no aumento na capacidade de negociação internacional de
seus membros e vizinhos, mas acusou os sócios de falta de habilidade e de
decisão, uma vez que “não resolveram as assimetrias econômicas, financeiras,
trabalhistas e constitucionais existentes desde o início do Mercosul”. (O
Estado de S. Paulo – Economia – 24/06/04).
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, visitou o
Brasil para a 1 o Fórum de Negócios Brasil-Colômbia, ocorrido no dia
22 de junho, cujo objetivo é equilibrar a balança comercial entre Brasil e
Colômbia, atualmente favorável ao Brasil.
O fórum contou com a presença de 56 exportadores colombianos e 80
importadores brasileiros. Em pronunciamento com o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, Uribe observou que o comércio entre Colômbia e Brasil é ainda
insuficiente para as possibilidades, uma vez que se tratam dos dois países mais
populosos da América do Sul. Os presidentes ressaltaram o peso econômico,
político e cultural dos países na região e destacaram a necessidade de
integração entre eles. Uribe e Lula
trataram ainda de da necessidade de medidas conjuntas para melhorar o preço do
café no mercado internacional e a possibilidade de financiamento por parte de
bancos públicos brasileiros a produtores colombianos. O presidente brasileiro
reiterou a disposição do governo do país em conceder empréstimos a países
pobres. (Folha de S. Paulo – Mundo – 23/06/04; O Globo – Primeiro Caderno –
23/06/04; O Globo – Primeiro Caderno – 24/06/04).
Alemanha e
França defenderam a inclusão do Brasil no G-8 – grupo dos paises mais
desenvolvidos, mais a Rússia – segundo informações do chanceler Celso Amorim. “É melhor para os
próprios países desenvolvidos, pois afinal hoje em dia o que acontecer no
Brasil, na China e na Índia terá influência nos outros”, declarou Amorim. (O
Globo – Economia – 25/06/04).
O governo brasileiro assinará, em julho, um memorando
de entendimento com a África do Sul, China, Índia, Nigéria, Rússia e Tailândia
para o intercâmbio de tecnologia na área de produção de medicamentos para o
tratamento da AIDS. O que se pretende com a assinatura deste documento é
consolidar esse grupo de países na luta para a flexibilização das regras das
patentes e diminuir os custos da produção de medicamentos para a AIDS. Alexandre
Grangeiro, coordenador do Programa Nacional de DST/Aids, ressaltou que o
governo brasileiro continuará atuando para que os países ricos retirem a
questão da AIDS do âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Para
Grangeiro, esse é uma questão que deve ser tratada na Organização Mundial da
Saúde (OMS). (O Estado de S. Paulo – Geral – 25/06/04).
Um plano de cooperação científica entre o
Brasil e a China será colocado em prática ainda neste mês. A Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Chinese Academy of Agricultural Sciences
(Caas) assinaram um acordo de intercâmbio nas áreas de recursos genéticos,
biologia avançada, mecanização de pequenas propriedades e também prevê um
estudo do genoma funcional da soja até o final de 2005. (Folha de S. Paulo –
Ciência – 25/06/04).
Pressionada por uma queixa do Brasil na
Organização Mundial do Comércio (OMC) e pela sua ampliação, a União Européia
(UE) começou a preparar uma reforma no sistema de subsídios dados aos
produtores de açúcar. Os subsídios pagos à produção européia de açúcar impõem
uma competição desleal ao produtor brasileiro e abaixam os preços no mercado
internacional. Para especialistas europeus, a vitória do Brasil na OMC contra
os subsídios pagos pelos EUA aos seus produtores de algodão pressiona ainda
mais a UE a fazer essa reforma. Os europeus ressaltaram que esta disputa ocorre
em um momento não adequado, uma vez que já está em andamento a reforma.
Contudo, para diplomatas e especialistas, a intenção do Brasil é assegurar que
a UE não adie qualquer decisão nesta reforma.(O Estado de S. Paulo – Economia –
25/06/04).
Ao fim da 11ª reunião da Unctad (Conferência das
Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), os países em desenvolvimento
ficaram atentos para o fato de não dependerem mais de produtos primários. No
discurso de encerramento, o embaixador Rubens Ricupero lembrou da necessidade
dos países emergentes em estabelecer um espaço para executar suas políticas
nacionais de desenvolvimento. Os encontros paralelos a Unctad, do G20 (grupo
formado por países em desenvolvimento), do NG5 (Brasil, Índia, Austrália, EUA e
UE) e da União Européia com o Mercosul, que traziam grandes expectativas,
tiveram resultados tímidos, como por exemplo, no caso UE-Mercosul, que apesar
dos dois lados afirmarem ter feito as melhores ofertas possíveis, não houve
declarações de avanço no acordo, previsto para ser finalizado em outubro deste
ano. (Folha de S. Paulo – Dinheiro – 19/06; O Estado de S. Paulo – Economia –
19/06/04).
Para o ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, as prioridades do governo no momento são as negociações na Organização
Mundial de Comercio (OMC) e os acordos com a União Européia, deixando a Alca em
segundo plano “não por ser menos relevante, mas por estar mais atrasada”,
afirma o chanceler. As negociações da UE estão ocorrendo de maneira mais rápida
porque se trata de um bloco já fechado enquanto que na Alca são 34 países com
interesses diversos. Amorim também afirma estar otimista em relação à próxima reunião
da OMC, em julho em Genebra, quando se espera desbloquear as negociações
envolvendo a Rodada Doha. (O
Estado de S. Paulo – Economia – 19/06/04; O Globo – Economia – 19/06/04).
Lula defendeu fundo mundial de combate à miséria na
ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na
“Global Compact Leaders Summit” – fórum da Organização das Nações Unidas (ONU)
que discute a responsabilidade social das empresas. Lula pediu apoio a uma
platéia de 200 grandes executivos para a taxação dos paraísos fiscais e do
comércio de armas, e sugeriu que parte dos lucros das empresas fossem
destinados ao combate da miséria. O presidente ressaltou que uma taxa de 0,01%
sobre as transações financeiras, que não distorcesse os fluxos de
investimentos, proporcionaria US$ 17 milhões por ano para sustentar o fundo
mundial de combate à pobreza, que ele juntamente com outros lideres mundiais,
como o presidente da França, Jacques Chirac, pretendem criar. O presidente
ainda pediu aos empresários que pressionem os seus respectivos governos para
que estes acabem com os “escandalosos subsídios” que tanto prejudicam os
agricultores das nações em desenvolvimento. (O Estado de S. Paulo – Nacional –
25/06/04; O Globo – Economia – 25/06/04).
Durante a abertura da primeira rodada de negócios
Brasil – Colômbia, no dia 22, em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, ao lado do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, discursou defendendo a
construção de uma “nova geografia econômica e comercial” para os países em
desenvolvimento. Essa nova geografia funcionaria como resposta às oportunidades
abertas pela globalização, exigindo um maior volume de compras desses países e
o uso de organismos oficiais para financiar investimentos na América do Sul.
Para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o aumento da parceria
com outros países da América Latina exigirá generosidade por parte do Brasil.
(O Estado de S. Paulo – Economia – 23/06/04).
Representantes de 450 empresas (350 estrangeiras)
participaram nos dias 23 e 24 de junho, em São Paulo, de uma rodada
de negociações visando aumentar as exportações dos países da América do Sul
para o Brasil. O evento faz parte de um programa lançado pelo governo federal
no ano passado, com objetivo de promover a substituição competitiva de
importações. Segundo o Itamaraty, a iniciativa inédita de incentivo às
importações deverá render US$ 100 milhões nos dois dias de rodada. (O Globo –
Economia – 24/06/04).
Lula defendeu reforma da ONU
Em reunião com o
secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou da possibilidade do Brasil se tornar
membro permanente do Conselho de Segurança da organização. Respondendo
categoricamente a um jornalista, Lula disse que uma cadeira permanente no
Conselho não se trata de uma pretensão, mas sim, da reivindicação de um direito. Segundo o presidente a
ONU tem que ser democratizada e representar a nova realidade mundial. Para
representar a novo cenário internacional, a América do Sul, a África e a Ásia
precisam ser representadas, afirmou o presidente.(O Globo – Economia –
25/06/04).