-
Observatório de Política Externa Brasileira -
Nº 39
19/02/05 a
24/02/05
Mais uma vitória na OMC é alcançada
O Brasil obteve mais uma vitória contra a União
Européia (UE) na Organização Mundial do Comércio (OMC). Em relatório
preliminar, foram condenadas as barreiras impostas à importação de frango
salgado brasileiro. A UE elevou de 15,4% para 75% a tarifa de importação de
pedaços salgados de frango, em julho de 2002, além de outras medidas
protecionistas. A decisão final do painel instalado para esta contenda sairá no
dia 24 de março, contudo, o Itamaraty já tem como certa a vitória, já que a OMC
não costuma mudar um relatório preliminar. A Tailândia participa da ação contra
os europeus com o Brasil, enquanto EUA e China entraram como partes interessadas. Os europeus
pretendem recorrer da decisão. (O Estado de S. Paulo – Economia – 18/02/05; O
Globo – Economia – 18/02/05).
Medida anti-dumping
será aplicada contra a Argentina
O governo brasileiro adotou
uma medida anti-dumping para a importação de leite em pó da Argentina.
Foi fixado um preço mínimo para as importações desse produto, a partir do qual
será aplicada uma tarifa para a entrada no mercado brasileiro. Essa medida visa
proibir que o leite em pó importado do país vizinho seja comercializado no Brasil
com preços abaixo do custo de produção dos produtores nacionais. (Folha de S.
Paulo - Dinheiro - 18/02/05).
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim,
iniciou seu giro pelo Oriente Médio para preparar a Cúpula dos Chefes de Estado
da América do Sul e dos Países Árabes, prevista para maio no Brasil. Amorim
encontrou-se com o chanceler da Jordânia, Hani Mulki, com o ditador Sírio, Bachar al Assad, em Ramallah, e
esteve com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, e
com o primeiro-ministro palestino Ahmed Korei. O chanceler brasileiro os
convidou para participar da cúpula e pediu ajuda para o caso do engenheiro
brasileiro João José Vasconcellos Jr., seqüestrado no Iraque. Abbas e Assad
prometeram ajudar no que for preciso para que o engenheiro brasileiro seja
libertado com vida. O governo israelense lamentou não estar no roteiro do
ministro brasileiro. Segundo o porta-voz daquele país, se o Brasil tem
interesse em participar no processo de paz da região, precisa entender os dois
lados, e não apenas o palestino. O Itamaraty garantiu que o objetivo principal
da viagem ao Oriente Médio é convidar os países árabes para a cúpula e
ressaltou que está prevista uma visita de Amorim a Tel-Aviv ainda neste
semestre e que o vice-primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, estará no
Brasil no próximo mês. Amorim chegou no
dia 20 de fevereiro na Síria, país apontado como aliado de grupos radicais
islâmicos e pressionado pelos Estados Unidos para retirar suas tropas do
Líbano. Assad confirmou o apoio à candidatura brasileira a uma cadeira
permanente no Conselho de Segurança. (Folha de S. Paulo – Brasil – 19/02/05; O
Estado de S. Paulo - Internacional - 18/02/05; O Estado de S. Paulo –
Internacional – 1902/05; - O Globo - O
Mundo - 18/02/05; O Globo – O Mundo – 19/02/05; Folha de S. Paulo – O Mundo –
21/02/05; O Estado de S. Paulo – Internacional – 21/02/05).
A participação do Brasil nas
discussões da Convenção de Proteção à Diversidade Cultural da Organização das
Nações Unidas para Educação e Cultura (UNESCO) indica tendência do país de
manter uma posição intermediária a respeito do comércio dos bens culturais. O
posicionamento brasileiro não segue nem o protecionismo radical defendido pela
França e pelo Canadá, nem a liberalização geral proposta pelos EUA. Segundo o
embaixador Edgar Telles Ribeiro, do Departamento Cultural do Itamaraty, o país
pode se beneficiar com a entrada em certos mercados. Porém, para ele, o país
também não se beneficiaria com uma liberalização total, já que as grandes
exportadoras nacionais não têm força para competir no exterior. (O Estado de S.
Paulo – Dinheiro – 20/02/05).
Apesar da reunião técnica ocorrida no último dia 21
de fevereiro, Brasil e Canadá ainda não entraram em acordo sobre a nova família
de aeronaves que a canadense Bombardier está desenvolvendo. Segundo o governo
brasileiro, as negociações estão difíceis, pois os canadenses mantêm sua
disposição de continuar subsidiando o projeto. O impasse passou de técnico e a
político, dificultando sua resolução. Na mesma área, a de exportação de
aeronaves civis, o ministro Roberto Azevedo participou durante a semana, na
Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), de uma
reunião de entendimento setorial. Foi a primeira vez que um país em
desenvolvimento participou de um encontro sobre o tema, até hoje exclusivo dos
países industrializados. (O Estado de S. Paulo – Economia – 22/02/05).
O governo brasileiro, juntamente com os empresários,
começou a se organizar contra os subsídios norte-americanos a seus produtores
de soja. Até o dia 15 de março, o governo decidirá se apresenta ou não uma
queixa à Organização Mundial do Comércio (OMC). A iniciativa responde ao
temor dos exportadores de soja brasileiros com a decisão do Departamento de
Agricultura dos Estados Unidos (USDA) de aumentar o volume total de subsídios a
seus produtores. O governo definiu também que, ao se tratar de soja nas
negociações da Rodada Doha da OMC, os negociadores brasileiros deverão atacar a
escalada tarifária e o crédito subsidiado à exportação, no caso do algodão.
Desta forma, estarão atacando os principais geradores de desvios no comércio
internacional desses produtos. (O Estado de S. Paulo – Economia – 23/02/05).
O governo brasileiro
recebeu, no dia 22 de fevereiro, o aval do Fundo Monetário Internacional (FMI)
para a realização do projeto piloto que possibilita que o país invista
recursos, antes utilizados no pagamento dos juros da dívida pública, em
investimentos em infra-estrutura. O Brasil terá, até 2007, cerca de US$ 3 bilhões
a serem investidos principalmente na área de transportes; recuperação de
estradas e portos. Os projetos, escolhidos de acordo com seus potenciais de
retorno fiscal, estarão sujeitos a procedimentos especiais de implementação e
monitoramento de despesas. Quanto à renovação do atual acordo entre Brasil e
FMI, apesar das declarações negativas do presidente Luís Inácio Lula da Silva,
tudo indica que o país fará um acordo preventivo com o Fundo até o fim do atual
governo. Segundo a instituição, o governo brasileiro tem promovido diversas
reformas que contribuem para o crescimento e a credibilidade do país. (Folha de
S. Paulo – Brasil – 23/02/05; Folha de S. Paulo – Dinheiro – 23/02/05; O Estado
de S. Paulo – Economia – 23/02/05; O Estado de S. Paulo – Economia – 24/02/05;
O Globo – Economia – 23/02/05).
Apesar das declarações do
chanceler Celso Amorim e do então representante de Comércio da Casa Branca,
Robert Zoellick, sobre a retomada das negociações da Área de Livre Comércio das
Américas (ALCA), a expectativa sobre o início das mesmas é ainda incerto. Nas últimas
semanas, o Brasil voltou a enfatizar a idéia de um acordo entre o Mercosul e os
EUA, centrado em acesso a mercados, como passo intermediário da liberalização
do comércio. Os negociadores argumentaram que isso seria uma extensão natural
do formato que Washington usou em negociações com os países centro-americanos,
no Cafta, e está negociando com andinos. (O Estado de S. Paulo – Economia –
24/02/05).