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Observatório de Política Externa Brasileira -
Nº 37
04/02/05 a
11/02/05
Brasil e Argentina fecham acordo sobre televisores
O Brasil
aceitou reduzir suas exportações de televisores, em 100 mil unidades, para a
Argentina neste ano, porém, nos próximos essa cota será aumentada. Com isso, o
governo argentino suspendeu a sobretaxa de 21,5% aplicada aos aparelhos
fabricados na Zona Franca de Manaus. O país vizinho também se comprometeu a evitar o
crescimento das importações de outros países. Este acordo evitará que o
conflito pelos televisores seja levado ao âmbito da Organização Mundial de
Comércio (OMC), uma vez que a medida provisória que impôs a sobretaxa para a
importação das TVs brasileiras venceria no dia 05 de fevereiro. Após essa data,
o governo argentino teria que decidir se tornaria a medida de salvaguarda
permanente ou se a suspenderia. Se a medida fosse mantida, o Brasil ameaçava
levar o caso a OMC. (Folha de S. Paulo – Dinheiro – 04/02/05; O Estado de S.
Paulo – Economia – 04/02/05; O Globo – Economia –04/02/05; O Globo – Economia –
08/02/05).
O ministro da
Fazenda, Antonio Palocci, participou do encontro de ministros das Finanças e presidentes de
bancos centrais do G-7 - grupo dos sete países mais ricos do mundo -, em
Londres. Além do Brasil, foram convidados outros países em desenvolvimento,
como a China, a Índia e África do Sul. Palocci defendeu a ampliação do G-7, com
a inclusão dos “principais países emergentes”, e considerou necessária a concentração
das atenções do grupo em três pontos: maior liberalização do comércio
internacional, mecanismos mais eficientes para prevenção de crises em países
vulneráveis que seguem boas políticas e aumento da ajuda aos países pobres. Foi
destacada a necessidade da abertura da economia dos países mais ricos e do
avanço das negociações comerciais da Rodada de Doha para as nações em
desenvolvimento. O ministro disse que a economia brasileira ainda é vulnerável
e precisa de um período sem crises externas para atingir situação mais segura.
Ele também indicou que o governo poderá intensificar a intervenção no mercado
de câmbio para reforçar as reservas internacionais do país e melhorar o perfil
da dívida pública, mas não pretende mudar a tendência de valorização do real
perante o dólar. Durante o encontro, Palocci e o diretor-gerente do Fundo
Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato, discutiram um novo acordo de apoio
financeiro ao Brasil. O ministro adiantou que o Brasil não deve renovar o
acordo, no entanto, decidiram tomar uma decisão conjunta, positiva para as duas
partes, no mês de março. Palocci também defendeu junto ao Fundo a criação de um
novo modelo de acordo preventivo para reduzir a vulnerabilidade dos países
emergentes. (Folha de S. Paulo –
Dinheiro – 05/02/05; Folha de S. Paulo – Dinheiro – 06/02/05; Folha de S. Paulo
– Dinheiro – 10/02/05; O Estado de S. Paulo – Economia – 04/02/05; O Estado de
S. Paulo – Economia – 05/02/05; O Estado de S. Paulo – Economia – 06/02/05; O
Estado de S. Paulo – Economia – 07/02/05; O Estado de S. Paulo – Economia –
08/02/05; O Globo – Economia – 04/02/05; O Globo – Economia – 05/02/05; O Globo
– Economia – 10/02/05).
Rússia e Espanha retomam importações de carne de
frango brasileira
Moscou
anunciou a suspensão do embargo à carne de frango do Brasil. Contudo, o embargo
às importações de carne bovina e suína ainda permanece. O governo russo alega
dúvidas sobre o processo industrial envolvendo a vacinação contra a febre
aftosa. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que a decisão russa
é elogiável, contudo, ainda não satisfaz o desejo do governo brasileiro.
Rodrigues afirmou que o governo voltará a prestar informações à Rússia com base
nas dúvidas levantadas e que será enviada uma missão técnica á Moscou para
prestar todos os esclarecimentos de eventuais dúvidas. O ministro também
confirmou que o governo espanhol suspendeu as restrições sanitárias que
dificultavam a entrada de carne brasileira de frango no país. (Folha de S.
Paulo – Dinheiro – 04/02/2005; O Estado de S. Paulo – Economia – 04/02/2005).
Os
representantes da comunidade muçulmana que foram para o Líbano e Jordânia
tentar ajudar o engenheiro brasileiro seqüestrado no Iraque, afirmaram que agora
toda responsabilidade está nas mãos do governo brasileiro e da construtora
Odebrecht. O trabalho dos líderes religiosos foi acompanhado pela atuação do
embaixador Affonso Celso de Ouro-Preto, enviado pelo Itamaraty a Jordânia e
serviu como um canal entre o governo brasileiro e as autoridades locais. De
acordo com o xeque Jihaed Hammaddeh, a missão dos representantes da comunidade
islâmica junto à equipe de diplomatas brasileiros na região foi bem produtivo
porque era preciso de uma voz que chegasse ao povo porque até aquele momento só
havia contatos governamentais. O Itamaraty informou também que acompanhará de
perto o caso do brasileiro, para garantir que tenha seu amplo direito de
defesa. (Folha de S. Paulo – Brasil – 05/02/05; O Globo – O País – 10/02/05).
O governo
brasileiro escolheu a China para investir na troca de experiências sobre
direitos humanos. No entanto, o país asiático é notório freqüentador de
relatórios que condenam governos que violam esses direitos regularmente. O
ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, que
visitará o país para conhecer seus programas nessa área, afirmou que se trata
de um contato bilateral, e que não há nenhum objetivo predeterminado. Segundo o ministro, o Brasil poderá conhecer
a atuação do país oriental em prol dos direitos humanos voltados para questões
sociais, como educação, emprego e moradia. (Folha de S. Paulo – Brasil –
05/02/05).
Durante
reunião no dia 07 de fevereiro, entre o vice-representante de Comércio da Casa
Branca, Peter Allgeier, e o chanceler brasileiro Celso Amorim, ficou claro que
o desejo brasileiro de firmar um acordo bilateral entre Mercosul e Estados
Unidos não está nos planos deste último. O Brasil, segundo Allgeier, terá que
escolher entre negociar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), nos
moldes já definidos, ou negociar um acordo bilateral nos moldes do acordo que o
governo Bush fez com o Chile. As conversas entre as partes serão retomadas no
final deste mês, em Washington. A prioridade da política comercial
norte-americana é, hoje, a Rodada de Doha, a qual discute duas das principais
divergências entre Brasil e Estados Unidos: agricultura e propriedade
intelectual. (O Estado de S. Paulo – Economia – 08/02/05; O Globo – Economia –
08/02/05).
Durante
reunião entre grupos de executivos brasileiros e norte-americanos, o
vice-representante de Comércio da Casa Branca, Peter Allgeier, indicou que o
Brasil pode ver reduzidos seus privilégios de isenção tarifária, guiados pelo
Sistema Geral de Preferências (SGP). O Brasil tem até o dia 31 de março para
mostrar resultados expressivos no combate ao desrespeito à propriedade
intelectual. A aplicação das leis sobre proteção de propriedade intelectual
está hoje no topo das prioridades de Washington. O tema é um dos principais da
agenda de discussões bilaterais, que tem reunião programada para a próxima semana.
(O Estado de S. Paulo – Economia – 08/02/05).
O presidente
Luis Inácio Lula da Silva viajará, no próximo dia 13, para o Suriname, a
Venezuela e a Guiana com a finalidade de reforçar a unidade política e econômica
da América do Sul, bem como tratar de projetos de cooperação. No Suriname, o
presidente participará da 16a. Conferência de Chefes de Governo da
Comunidade do Caribe (Caricom). (Folha de S. Paulo – Brasil – 09/02/05).